Entre descobertas, desafios e aprendizados, servidores de diferentes gerações compartilham experiências sobre o significado de ser pai.
Por Ayane Martins – Jornalista do SAAE SÃO CARLOS
Neste Dia dos Pais, quatro servidores do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de São Carlos (SAAE), de diferentes gerações e momentos da vida, compartilham experiências sobre a paternidade. Leonardo, Renan, Valdemar e Marchezin contam como os filhos transformaram suas prioridades e formas de enxergar a vida.
O PRIMEIRO DIA DOS PAIS – Para Leonardo Passareli Garcia Sandrini, de 31 anos, operador de máquinas pesadas do SAAE, este Dia dos Pais terá um significado especial. Pela primeira vez, ele celebra a data com a filha Maria Valentina, de 4 meses, nos braços e realiza um sonho que carregava há muitos anos: ser pai.
O caminho até a chegada da filha teve um momento difícil. Em abril de 2025, o casal descobriu a primeira gestação, que não evoluiu. “Foi um baque para a gente, mas confiamos muito em Deus e nos planos Dele”, relembra. Dois meses depois, veio uma nova gravidez e, com ela, a filha tão esperada.
“Achei que conhecia o amor, mas, depois que a Maria Valentina nasceu, descobri que era muito além do que eu podia imaginar. Hoje eu me preocupo com o amanhã. Saio para trabalhar já pensando em voltar para casa, porque quero estar junto delas.”
Sem ter convivido com o próprio pai, Leonardo encontrou na paternidade a oportunidade de ressignificar sua história e construir uma experiência diferente com a filha. “Eu não tive contato com o meu pai. Então, costumo dizer que estou sendo o pai que eu não tive. É uma cura interior minha também. Quero ser aquele pai que brinca, que cuida, que está junto, que acorda de madrugada e troca a fralda. Estou sendo para a minha pequena o pai que eu gostaria de ter tido.”

OS DESAFIOS DA PATERNIDADE JOVEM – Se Leonardo começa agora a descobrir os caminhos da paternidade, Renan dos Santos Caetano, de 26 anos, supervisor da Unidade de Apoio aos Procedimentos Administrativos (UAPA), já divide a rotina entre o trabalho e os cuidados com três filhos. Pai de Nick, de 4 anos, Logan, de 2, e Oliver, nascido há apenas um mês, Renan se tornou pai pela primeira vez aos 22 anos e brinca com a possibilidade de ser um dos pais mais jovens da Autarquia. “Acredito que devo ser um dos pais mais jovens do SAAE. Pelo menos, com três filhos, acho que posso ter certeza”, diz, aos risos.
Por trás da brincadeira, reconhece que assumir a paternidade ainda jovem trouxe responsabilidades, amadurecimento e algumas renúncias. “É um desafio porque ainda sou jovem e estou nesse processo de descoberta da minha vida, da minha carreira e dos planos que tenho. Quando a gente se torna pai, acaba abdicando de algumas coisas. Mas eles estão à frente de tudo, são minhas prioridades.”
Um dos maiores desafios é conciliar a rotina de trabalho com o desejo de estar presente. “Existe um sentimento de culpa, porque eu gostaria de ter mais tempo para eles. Às vezes, saio e eles ainda estão dormindo e, quando volto, já dormiram novamente.”
Por isso, cada oportunidade ao lado dos filhos é aproveitada. “Se aparecem cinco minutinhos, a gente dá um jeito. Às vezes, consigo passar em casa no horário do almoço e procuro aproveitar bastante os finais de semana.”
Para Renan, a experiência também é um processo de amadurecimento. “Eu acho que estou crescendo junto com eles. Saí de casa muito cedo e muita coisa precisei aprender na marra. Também tenho como exemplo minha mãe e meu pai, que sempre foram pessoas muito trabalhadoras e, mesmo assim, dedicavam aos filhos o tempo que tinham.”


A ESCOLHA DE SER UM PAI PRESENTE – Valdemar Pereira, de 68 anos, encanador do SAAE, vive outro momento da paternidade. Pai de Thayline, de 27 anos, e Fellipe, de 23, ele acompanha os filhos já adultos e resume em poucas palavras o que eles representam em sua vida. “Ser pai é uma coisa maravilhosa. Às vezes, eu falo para eles: vocês são a minha vida.”
Ainda pequeno Valdemar viu o pai deixar a família e encontrou na mãe sua principal referência. “Minha referência foi meu pai, mas no sentido de pensar: ‘Eu não quero ser igual’. Minha mãe assumiu o papel de pai e mãe. Para nós, nunca faltou o que comer ou o que vestir.”
Anos depois, o compromisso de estar presente ganhou ainda mais importância quando os dois filhos, ainda jovens, foram diagnosticados com ceratocone, doença que afeta a córnea e pode comprometer progressivamente a visão. Os primeiros sinais apareceram com Fellipe, que começou a apresentar dificuldades na escola. A família percebeu que havia algo errado quando o grau dos óculos precisava ser alterado com frequência. Após o diagnóstico, começou a busca pelo tratamento. “Minha esposa começou a pesquisar e correr atrás. Eu ajudava também, principalmente nas viagens e nos tratamentos.”
Como os dois filhos apresentaram o problema em um período próximo, a família precisou enfrentar, ao mesmo tempo, a preocupação com a visão dos jovens e os custos dos procedimentos. “Meus filhos estavam perdendo a visão. Para nós, foi uma vitória muito grande conseguir realizar os tratamentos necessários para controlar a progressão da doença.”
Hoje, ao ver Thayline e Fellipe adultos seguindo seus caminhos, Valdemar se emociona ao deixar uma mensagem aos dois: “Só posso falar que amo muito eles.”

UMA VIDA ENTRE A FAMÍLIA E O SAAE – Benedito Carlos Marchezin, de 74 anos, engenheiro agrimensor e ex-presidente do SAAE, construiu grande parte de sua trajetória profissional na Autarquia enquanto acompanhava o crescimento dos filhos Rodrigo, de 45 anos, e Larissa, de 39. Ele resume a paternidade como uma de suas maiores alegrias. “Ser pai é uma gratidão enorme. Rodrigo chegou antes do que planejávamos e foi aquela alegria. Alguns anos depois, veio Larissa. É emocionante”, afirma.
Na criação dos filhos, Marchezin buscou reproduzir os valores que recebeu dos próprios pais. “Tivemos uma vida difícil, mas, dentro das possibilidades deles, deram estudo e educação para a gente. Busquei passar para os meus filhos essa educação e ensinar a serem humildes.”
Há mais de quatro décadas no SAAE, ele também relaciona sua história familiar à trajetória na Autarquia. “Foi aqui que consegui tudo o que pude conseguir na minha vida. Foi com o meu salário daqui que sustentei e constituí minha família. Aprendi muita coisa aqui. Foi uma escola para mim.”
Com o passar dos anos, Marchezin diz ter aprendido a valorizar ainda mais os momentos em família. “Já perdi muitos amigos e parentes. Quando a gente vai ficando mais velho, começa a dar ainda mais valor à vida, à família e aos amigos.”
Ao definir a paternidade, resume: “Para mim, é uma complementação da vida, é uma realização. Eu acho que seria uma pessoa muito triste se não tivesse meus filhos.”

MURAL “PAI CAMPEÃO” CELEBRA SERVIDORES – Como parte das comemorações pelo Dia dos Pais, o SAAE também realizou a campanha interna “Pai Campeão”, com a criação de um mural físico e virtual em homenagem aos servidores. Os pais foram convidados a enviar fotos ao lado dos filhos para compor a ação. Os registros foram revelados e expostos no mural, em uma iniciativa que buscou valorizar a paternidade e proporcionar um momento de celebração e reconhecimento aos pais da Autarquia.
Assim como retratado no mural, as histórias desses servidores mostram diferentes formas de viver a paternidade, marcadas por aprendizados, desafios e vínculos construídos ao longo do tempo. Afinal, os filhos crescem, a rotina muda e os anos passam, mas as histórias construídas entre pais e filhos permanecem.
